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Como surgiu a ciência?

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19xStudio Como surgiu a ciência? em Ter Out 30, 2012 1:29 pm

Sayori

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Tão
antiga quanto a própria existência do homem é sua inquietude diante da
percepção e da compreensão dos objetos e dos fenômenos que o cercam. As
noções sobre astronomia, geometria e física herdadas de antigas
civilizações, como a suméria, a egípcia, a babilônia e a grega,
constituem o alicerce do pensamento científico contemporâneo.

Em
termos gerais, ciência se confunde com qualquer saber humano. Em sentido
estrito, define-se ciência como as áreas do saber voltadas para o
estudo de objetos ou fenômenos agrupados segundo certos critérios e para
a determinação dos princípios que regem seu comportamento, segundo uma
metodologia própria.

Origem
das ciências. Em última instância, a origem da ciência radica na
capacidade de raciocínio do homem e em sua disposição natural para
observar. Os primeiros seres humanos se deixaram fascinar pelo
espetáculo oferecido pelos astros e, após observação contínua de sua
movimentação, perceberam certa regularidade nos ciclos solar e lunar e
na passagem periódica de cometas. A primeira grande conquista científica
foi, portanto, a constatação de que certos fenômenos se repetem.

A
imitação da natureza e a necessidade de superá-la e dominá-la, as
inovações técnicas exigidas por cada sociedade para satisfazer seus
interesses bélicos e comerciais e o prazer intelectual do conhecimento
foram fatores decisivos no desenvolvimento inicial da ciência. Cada
etapa da evolução científica esteve impregnada da filosofia de seu tempo
e, em algumas épocas, houve grande empenho em justificar teoricamente
certas concepções políticas ou teológicas. O conflito ideológico entre
ciência e religião, ou entre ciência e ética, foi um traço marcante de
muitas civilizações ao longo da história.

O
vertiginoso avanço científico verificado nos séculos XIX e XX favoreceu o
aparecimento de correntes de pensamento que pretendiam substituir os
preceitos morais pelos princípios da ciência. Esse propósito, no
entanto, viu-se prejudicado pelas questões éticas levantadas pela
utilização das descobertas científicas. Embora na maior parte dos casos
os estudos científicos não suscitem problemas metafísicos e proporcionem
bem-estar e progresso, comprovou-se que podem converter-se em poderoso
instrumento de destruição quando postos a serviço da guerra. O
aproveitamento da energia nuclear para fins militares toldou em parte o
ideal científico racionalista.

Por
outro lado, surgiram recentemente outras questões polêmicas, envolvendo a
engenharia genética, sobretudo no que se refere à manipulação das
primeiras fases da vida humana, com a inseminação artificial, a
fecundação in vitro, o congelamento de embriões e a possível produção de
clones humanos.

Classificação
das ciências. A ambição de saber própria do ser humano fez aumentar de
tal forma o volume do conhecimento acumulado que este supera em muito o
saber particular de cada indivíduo, tornando necessária a criação de
sistemas de ordenação e classificação. O próprio conceito de ciência e
sua evolução histórica trazem a necessidade de estipular a área de
conhecimento que compete a cada disciplina científica. Criou-se assim a
taxionomia, ou teoria da classificação, disciplina independente que
determina o objeto de cada área do conhecimento científico.

Aristóteles
formulou uma primeira classificação que distinguia três grupos: o das
ciências teóricas (física, matemática e metafísica), o das ciências
práticas (lógica e moral) e o das ciências produtivas (arte e técnica).
Entre os muitos métodos classificatórios menciona-se especialmente o do
físico francês André-Marie Ampère, do início do século XIX, segundo o
qual as ciências se dividiam em duas áreas: as chamadas ciências
cosmológicas (subdivididas em cosmológicas propriamente ditas e
fisiológicas), que estudavam a natureza, enquanto as ciências noológicas
(subdivididas em noológicas propriamente ditas e sociais) referiam-se
aos raciocínios abstratos e às relações dos seres humanos em sociedade.

Embora
se haja mantido a pluralidade de critérios no que se refere à ordenação
científica, a tendência moderna é definir várias áreas de conhecimento e
englobar em cada uma delas múltiplas disciplinas. O conjunto das
ciências exatas agrupa a matemática, a física e a química. As ciências
biológicas ocupam-se do estudo dos seres vivos em diversos níveis
(celular, de tecidos, de órgãos etc.) e compreendem grande número de
disciplinas, como a botânica, a zoologia, a genética, a ecologia etc.
Uma terceira área de conhecimento agrupa as ciências geológicas e
geográficas, que tratam dos fenômenos relativos à Terra, e as
astronômicas, relacionadas ao cosmos. Em outra esfera situam-se as
ciências médicas, também muito diferenciadas, e um quinto segmento
engloba as ciências sociais (economia, sociologia, demografia etc.).

As
diversas disciplinas podem também classificar-se em dois grandes grupos,
segundo seu objeto seja puramente científico, sem finalidade prática
imediata (a chamada pesquisa de ponta) ou integrem a área das ciências
aplicadas, como as pesquisas tecnológicas que se desenvolvem nas áreas
mais especializadas da engenharia, arquitetura, metalurgia e muitas
outras.

História da ciência

Admitindo-se
a curiosidade e a ânsia de conhecer como qualidades inatas do gênero
humano, pode-se afirmar que o nascimento da ciência deu-se com as
primeiras observações dos homens primitivos, antes mesmo que fosse
inventada a escrita.

Primeiras
civilizações. Alguns monumentos megalíticos, como o cromlech de
Stonehenge, na Inglaterra, são testemunho de que os europeus
pré-históricos possuíam noções de astronomia e geometria muito
superiores às que lhes foram atribuídas durante séculos.

Os
primeiros centros importantes de irradiação científica localizaram-se na
China, na Índia e no Oriente Médio. A sabedoria e a técnica chinesas
superaram as ocidentais durante quase toda a antiguidade. Os sábios
chineses mediram fenômenos celestes em tempos muito remotos e
progrediram extraordinariamente na alquimia, na medicina e na geografia,
apoiados por seus governantes. Os indianos, mais interessados em
questões metafísicas, desenvolveram muito a matemática e deram ao mundo
moderno o sistema de numeração, transmitido e aperfeiçoado pelos árabes.
No Egito prestava-se mais atenção à resolução de problemas técnicos,
enquanto na Mesopotâmia os caldeus e babilônios dedicaram-se sobretudo à
astronomia e à matemática, além de aperfeiçoarem as técnicas de
irrigação e construção de canais.

Cultura
grega. O surgimento de uma cultura como a grega, isenta de misticismo
exacerbado e onde os deuses eram mais sobre-humanos que divinos, deu
lugar aos primeiros modelos racionalistas. Sua filosofia foi a mais
importante da antiguidade e serviu de modelo à ciência teórica, baseada
na educação e não na experiência, conhecida como filosofia natural. A
tradição helênica consagrou Tales, que viveu em Mileto, cidade grega da
Anatólia ocidental, no século VI a.C., como o primeiro representante
dessa corrente de pensamento. Tales procurou a ordem universal (kosmos
em grego significa ordem) mediante a determinação dos elementos
fundamentais que compõem o mundo e considerou o destino como motor dos
corpos, que se encaminham naturalmente para seu próprio fim. Não deixou
escritos, mas discípulos transmitiram e complementaram suas teorias.
Chegou-se assim à suposição de que todos os corpos conhecidos se
formavam dos quatro elementos: terra, fogo, água e ar.

Fundamental
para a ciência grega foi o pensamento de Pitágoras, um dos primeiros a
medir fenômenos físicos. Estabeleceu ele as leis acústicas pelas quais
se relacionam as notas musicais e aplicou a mesma teoria à disposição
dos planetas, do Sol, da Lua e das estrelas no firmamento: esses corpos
celestes girariam em volta da Terra em sete esferas concêntricas.

A
síntese do pensamento grego veio com Aristóteles, cuja preocupação foi
manter a concepção espiritualista de seu mestre, Platão, integrando-a,
porém, numa explicação científica do mundo físico. Aristóteles adotou o
modelo de esferas concêntricas de Pitágoras. Seus acertos na
classificação dos seres vivos foram excepcionais, embora, por falta de
conhecimentos matemáticos suficientes, tenha enunciado teorias físicas
que, devido ao enorme prestígio que conquistaram na Idade Média,
constituíram mais entrave do que benefício
na história da ciência. Destaca-se também a figura de Arquimedes, que,
discípulo do matemático Euclides, descobriu importantes leis da
hidrostática, as roldanas e a alavanca.

As
teorias gregas, que atribuíam ao mundo físico os ideais de beleza e
perfeição plasmados em suas esculturas, viram-se seriamente abaladas
depois da conquista da Mesopotâmia por Alexandre o Grande, pois os
cálculos e medidas astronômicas dos caldeus puseram a descoberto falhas e
incoerências nos modelos cósmicos aristotélicos. Mais tarde, Ptolomeu
conseguiu reduzir as discrepâncias adotando o sistema geocêntrico, que
situava a Terra no centro do universo.

A
medicina grega atribuía causas naturais a todas as doenças. Hipócrates,
estudioso da anatomia e do corpo humano, é considerado o pioneiro da
medicina, embora esta tenha chegado ao apogeu na época helenística
alexandrina. Destacaram-se então os estudos de Galeno de Pérgamo, que
descobriu as veias, as artérias e os nervos, aos quais caberia propagar a
energia vital pelo corpo.

Roma,
Islã e cristianismo medieval. O esplendor da ciência de Arquimedes e
Euclides coincidiu com o estabelecimento do poder romano no
Mediterrâneo. Os romanos limitaram-se a preservar os estudos dos gregos e
preferiram resolver problemas de engenharia e arquitetura
Com a decadência e queda do Império Romano, os textos da antiguidade
clássica praticamente desapareceram na Europa. A expansão do
cristianismo, que se produziu nos últimos séculos do Império Romano, deu
novo alento às interpretações espirituais e teológicas do mundo.
Somente os mosteiros serviram de refúgio para a ciência antiga, pois
neles os monges fizeram cópias manuscritas e comentários dos livros
salvos dos saques promovidos pelas tribos germânicas que invadiram o
continente.

A
civilização árabe assimilou o acervo cultural do Ocidente e transmitiu o
saber antigo à cristandade pela ocupação da península ibérica.
Traduziram a obra de Aristóteles e de outros filósofos, fizeram
progressos na medicina, na astronomia e na alquimia e inventaram a
álgebra. Nesse contexto, sobressaem as figuras de Averroés, tradutor e
comentarista da obra aristotélica, e de Avicena, cujo Canon foi o texto
básico de medicina durante toda a Idade Média.

A
cultura cristã medieval submeteu todo o conhecimento ao enfoque
teológico. Registraram-se, no entanto, alguns avanços tecnológicos
notáveis. As pesquisas no campo da óptica atingiram grande
desenvolvimento e a utilização de novas máquinas (como jogos de
roldanas) e ferramentas (maças, cinzéis, rolos) permitiram aperfeiçoar
os processos de construção e deram base técnica aos estilos
arquitetônicos românico e gótico.

Revolução
científica e revolução industrial. A consolidação do estado como
instituição, a intensificação do comércio e o aperfeiçoamento da
tecnologia militar contribuíram para aumentar o interesse pelas
realizações técnicas. O Renascimento, primeiro na Itália e depois no
resto da Europa, contribuiu com uma visão mais completa dos clássicos da
antiguidade e levou ao humanismo, que concebia o homem como imagem de
Deus, capaz e digno de criar. O exemplo máximo de gênio criador do
Renascimento foi Leonardo da Vinci, que se destacou como artista,
inventor, engenheiro e perito em anatomia humana.

Os
antigos modelos teóricos já não comportavam o volume gigantesco dos
novos conhecimentos e, por isso, a maior parte das perguntas ficava sem
resposta. Era preciso estabelecer um modelo básico e uma metodologia que
servissem de orientação para os novos estudos. Esses recursos foram
fornecidos por Copérnico, Galileu, Newton e outros cientistas, que
tiveram de superar dois obstáculos de monta: as idéias e o prestígio de
Aristóteles, muito arraigados no espírito medieval, e a hegemonia dos
princípios defendidos pela igreja.

O
heliocentrismo, modelo que situa o Sol no centro do universo, já fora
usado por Aristarco de Samos na Grécia antiga. Não podendo ser
confirmado pela experiência, foi superado pelo geocentrismo de Ptolomeu.
Copérnico enfrentou o mesmo problema ao formular sua teoria
heliocêntrica, embora apoiado pelos estudos e observações de outros
astrônomos, como Tycho Brahe, Kepler e Galileu, que foi o primeiro a
utilizar o telescópio.

A obra
De humani corporis fabrica libri septem (1543; Sete livros sobre a
organização do corpo humano), de Andreas Vesalius, aplicou um novo
método ao estudo do corpo humano, que contestava Galeno em algumas
opiniões, até então tidas como irrefutáveis. A química, ainda centrada
na análise da enorme quantidade de substâncias descobertas pelos
alquimistas, só encontrou seu caminho científico moderno com Lavoisier,
no século XVIII.

No
século XVII, Newton publicou sua obra magna: Philosophiae naturalis
principia mathematica (1687; Princípios matemáticos da filosofia
natural), em que não só anunciava as leis fundamentais do movimento dos
corpos e da gravitação universal, como apresentava um método de trabalho
que se mostraria aplicável a muitas áreas científicas. Simultaneamente
com Leibniz, Newton inventou o cálculo infinitesimal, que daria a seus
sucessores um valioso instrumento matemático. Uma das conseqüências mais
importantes das idéias e do método newtonianos manifestou-se no século
XVIII, quando Coulomb enunciou uma lei análoga à lei de Newton para a
mecânica, aplicável à eletricidade.

As
ciências biológicas progrediram mais lentamente que as ciências
técnicas. No século XVIII, porém, surgiu a primeira classificação
rigorosa de animais e vegetais que se conhece desde a época de
Aristóteles. Com ela, o sueco Carl von Linné, conhecido como Lineu,
lançou as bases da taxionomia moderna na classificação botânica e
zoológica.

Atomismo,
evolução e relatividade. No século XIX surgiu um novo enfoque das
ciências, marcado de certa forma pela descoberta do mundo microscópico e
pela formulação de modelos atômicos. A conexão entre as forças
elétricas e magnéticas, corroborada por Oërsted e Faraday, deu origem a
uma teoria unitária das modalidades físicas de ação recíproca que se
mantém até hoje. Houve grandes progressos nos métodos matemáticos e,
conseqüentemente, na formulação de complexos modelos teóricos. Joule e
Helmholtz estabeleceram o princípio de conservação da energia e
Helmholtz descobriu também a natureza eletromagnética da luz.

Com a
teoria atômica de Dalton e o sistema periódico de Mendeleiev, a química
consolidou seus princípios e seu método, enquanto a biologia teve grande
impulso com os estudos de classificação realizados por Cuvier. Ainda no
século XIX, o naturalista inglês Darwin provocou uma autêntica
revolução, que durante muitos anos foi objeto de controvérsia, com a
publicação do livro On the Origin of the Species by Means of Natural
Selection (1859; A origem das espécies), onde se acha exposta a célebre
teoria da evolução. Em 1838, Schwann e Schleiden lançaram as bases da
teoria celular. Pouco depois, Pasteur e Koch estudaram a natureza dos
germes microscópicos causadores das enfermidades e criaram as primeiras
vacinas. As ciências sociais progrediram e deram nascimento à sociologia
e à economia como disciplinas científicas e independentes.

O século
XX principiou com a descoberta da radioatividade natural por Pierre e
Marie Curie e o anúncio de novas doutrinas revolucionárias. A
confirmação do conceito evolucionista das espécies e a extensão dessa
idéia ao conjunto do universo, junto com a teoria quântica de Planck e a
teoria da relatividade de Einstein, levaram a um conceito não-causal do
cosmo, em que só é lícito adquirir conhecimento a partir de dados
estatísticos, cálculos de probabilidade e conclusões parciais. Nada
disso implica um retrocesso na validade do método científico, pois não
se duvida que esse método assegurou enormes progressos tecnológicos, mas
sim um reconhecimento, por parte da ciência, de sua incapacidade de dar
respostas cabais sobre a natureza e a origem do universo.

Na
segunda metade do século XX, os métodos de observação de alta precisão
apresentaram notáveis progressos com o descobrimento do microscópio
eletrônico, no qual as lentes foram substituídas por campos
eletromagnéticos e a luz por um feixe de prótons, e dos microscópios de
raios X e de ultra-som, com grande poder de resolução.

A
reunião de disciplinas como a automação, destinada ao estudo e controle
dos processos em que o homem não intervém diretamente, e a informática,
ou conjunto de técnicas dedicadas à sistematização automática da
informação, nasceram outras disciplinas como a robótica, que se ocupa do
desenho e do planejamento de sistemas de manipulação a distância. Essa
área de conhecimento teve aplicação, por exemplo, na astronáutica.
Permitiu que o homem chegasse à superfície da Lua ou viajasse pelo
espaço cósmico.

No campo
da astronomia foram criadas disciplinas como a astronomia das radiações
ultra-violeta e infravermelha, dos raios X, gama e outros. Esses
progressos se devem aos conhecimentos da física nuclear, que permitiram
descobrir uma enorme quantidade de fenômenos e de corpos celestes, como
os buracos negros, objetos astrais de densidade elevada e que não emitem
radiação, e os quasares, objetos semelhantes às estrelas que emitem
radiações de grande intensidade.

A
ciência moderna tem-se esforçado para obter novos materiais e fontes de
energia alternativas para o carvão e o petróleo. O progresso da técnica
permitiu a fabricação de semicondutores e dispositivos eletrônicos que
conduziram aos computadores modernos. O domínio dos processos atômicos e
nucleares possibilitou a construção de centrais elétricas e
instrumentos de precisão. A aplicação de novas tecnologias na medicina e
o maior conhecimento do corpo humano e de seus mecanismos
proporcionaram uma melhora apreciável nas condições de vida dos
habitantes do planeta.

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